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Você sabe a importância da doença Raiva nas vacas?

A raiva é uma doença viral de extrema importância porque além de ser uma zoonose, ou seja, é transmissível de animais para humanos, ela não possui tratamento e evolui de forma drástica, causando a morte dos indivíduos acometidos.

A transmissão ocorre na maior parte das vezes através da mordida de um animal infectado, no Brasil o mais comum é o morcego hematófago Desmodus rotundus, que se alimenta de sangue e precisa estar contaminado. Em raras situações o contagio também acontece através da agressão de cães, gatos e outros animais silvestres. Em casos de feridas abertas que tiverem contato com saliva e/ou órgãos de animais infectados, a raiva também poderá ser transmitida, por isso o cuidado com contato humano com animais suspeitos ou durante a necropsia para coleta do exame confirmatório. Sangue, leite, urina e fezes não apresentam carga viral suficiente para causar a doença, diferentemente da carne, que oferece sérios riscos e não deverá ser aproveitada.

O período de incubação (período em que o animal foi infectado até apresentar os primeiros sinais clínicos da doença) pode variar bastante, de 20 dias e pode chegar até 2 anos nos animais. Em humanos, desde o contato com a doença até ter sintomas em média são 20 a 60 dias, mas existem relatos de até um ano para aparecimento de sintomas.

Os bovinos doentes normalmente apresentam os seguintes sinais clínicos:

- Isolamento do rebanho

- Tristeza, falta de apetite

- Salivação excessiva e dificuldade para deglutir (baba muito, suspeita de engasgado)

- Incordenação motora (anda cambaleando, dificuldade em caminhar)

- Movimentos desordenados de cabeça

- Tremores musculares

- Até que evoluí que o animal entra em decúbito e não levanta mais (normalmente 3 a 6 dias após o início dos sinais clínicos, podendo chegar até 10 dias) seguido de morte.

Uma vez iniciado os sinais clínicos, não tem mais nada a ser feito. A doença NÃO possui tratamento. O animal deve ser isolado do rebanho e esperar a sua morte, para então um veterinário capacitado faça sua necropsia e envie o cérebro para exame no laboratório oficial. O exame do cérebro do animal suspeito é a única forma de confirmação da raiva, apenas pelos sinais clínicos só temos uma suspeita porque estes são muito parecidos com de outras doenças neurológicas e não confirmam nada, assim como sorologia.

É obrigatório que o proprietário avise imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial a suspeita de casos de raiva, a presença de animais com mordeduras de morcegos hematófagos e ainda, abrigos de morcegos caso houver.

A parte boa é que já temos vacina disponível no mercado, uma vacina de baixo custo e segura, que depois da sua primeira aplicação e dose de reforço após 30 dias, a vacinação se torna anual. Entretanto, não é uma vacina obrigatória para todos os rebanhos, seu uso se torna obrigatório apenas em lugares que tenham animais confirmados, ou seja, na zona focal da doença e na zona perifocal, que compreende um raio de 12 km do local que teve um animal confirmado.

A partir disso deverão ser seguidos os seguintes critérios:

- Deverão ser vacinados bovinos e equídeos com idade igual ou superior a 3 meses (dependendo do orientação do Médico Veterinário responsável poderá ser adiantado a vacinação).

- A vacina deverá ser mantida sob refrigeração de 2°C a 8°C

- Não poderá ser congelada

- Não poderá ter contato direto com luz solar

- Sempre conferir a data de validade da vacina

Outra forma importante de prevenção, é o uso da pasta vampiricida, que deverá ser utilizada em animais que apresentem mordeduras de morcego com intuito de eliminar esses morcegos agressores. Isso é feito porque eles retornam vários dias seguidos no mesmo ferimento para se alimentar, e neste caso, ao pousar na região besuntada com pasta, esta irá grudar ao morcego que voltará para o seu abrigo, e por terem o hábito de se lamberem irão contaminar uns aos outros com a solução anticoagulante que a pasta é feita, causando morte por hemorragia interna nos morcegos. O uso da pasta deverá ser repetido enquanto o animal estiver apresentando a mordedura. Sua aplicação deverá ser feita de preferência no final da tarde e deixando o animal no mesmo lugar que estava na noite anterior, e o proprietário mesmo poderá fazer este manejo.

Outros cuidados importantes que devem ser tomados são:

- SEMPRE que tiver um animal salivando muito, com suspeita de estar engasgado usar luvas e após maneja-lo lavar as mãos muito bem com água e sabão (nunca podemos descartar a possibilidade de ser raiva)

- Morcegos não devem ser vistos a luz do dia, em casos de serem vistos a luz do dia, não deverão ser pegos na mão e não deixar também que cachorro ou outros animais tenham o contato, o ideal é isolar o morcego e chamar o serviço veterinário oficial para coleta

- Se tiver contato com algum animal com raiva, lavar bem o local com água e sabão e imediatamente procurar um posto de saúde para seguir com as orientações de vacinação e aplicação de soro antirrábico caso necessário.

Os produtores deverão ter o hábito de monitorar em seus animais a presença de lesões provocadas por morcegos hematófagos.

Para informação, os sintomas nos humanos são:

- 2 a 10 dias: dor de cabeça, febre, náusea, fadiga e anorexia

- 2 a 7 dias: comportamentos bizarros como extrema agressividade, ansiedade, insônia, salivação excessiva, reação ao barulho, convulsões e tendência de morder.

- o terceiro estágio é caracterizado por coma e paralisia, que pode durar algumas horas a dias, marcado pelo estado de confusão mental, alucinações e paradas cardíacas e respiratórias.