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Silagem de grão úmido: uma alternativa para reduzir custos

A produção de silagem de grão úmido de milho permite aos produtores estocar grãos na propriedade de maneira prática e econômica por longos períodos, além do fornecimento de um alimento de qualidade, fonte de energia e de alto valor nutricional para os ruminantes bem como reduzir o custo dos alimentos concentrados da dieta.


Entre as demais vantagens agronômicas e econômicas de sua utilização, podemos citar a redução de perdas no campo decorrentes de adversidades climáticas ou pela incidência de pragas ou doenças, liberação antecipada da área para cultivos subsequentes, redução de perdas ocasionadas pelo ataque de carunchos, traças e roedores durante a estocagem, redução dos custos com processo de secagem, limpeza de grãos, transporte até cooperativas e descontos por impurezas e umidade além de menor exportação de nutrientes do solo quando comparada à silagem de planta inteira.


Já os pontos negativos estão relacionados a impossibilidade de comercialização desse tipo de silagem, a necessidade de preparo diário da dieta dos animais, ao aumento do risco de ocorrência de acidose ruminal se ofertada em grandes quantidades, elevada mão de obra para enchimento e compactação do silo e menor volume de massa ensilada.


A silagem de grão úmido é o processo no qual são estocados apenas os grãos da planta de milho e assim como na conservação de qualquer forrageira, é necessário ter rapidez nos processos de colheita, transporte e moagem e fazer uma boa compactação e vedação do silo. Este, por sua vez, deve ter o dimensionamento adequado a necessidade de consumo diário dos animais, garantindo que todos os dias seja retirada uma fatia mínima de 15 cm de toda área frontal.


A colheita é realizada por colhedoras convencionais de grãos quando estes apresentam umidade entre 32 e 36% e atingem o ponto de maturação fisiológica, ou seja, momento em que cessa a translocação de nutrientes da planta para os grãos, e que pode ser observado quando os mesmos apresentam uma camada preta na base. Essa característica serve inclusive, como método de determinação do ponto correto de colheita, devendo-se retirar espigas de vários pontos da lavoura e quebra-las ao meio, para verificar a presença dessa camada nos grãos centrais.


O ponto de colheita ideal é fundamental para garantir a qualidade final da silagem. Colher o milho com maior umidade favorece perda de matéria seca, altera o processo de fermentação, propicia o crescimento de microrganismos indesejáveis além de dificultar o processo de moagem, por ser uma massa pastosa.


Se colhido muito seco, o processo de deterioração é acelerado durante o período de armazenagem e logo após a abertura do silo, os grãos endurecidos sofrem perdas na passagem pelo trato digestório dos animais, resultando em baixo aproveitamento do amido disponível para fermentação no rúmen. Esse problema, entretanto, pode ser corrigido através da reidratação dos grãos com adição uniforme de água durante a moagem.


A moagem deve ser realizada logo após a colheita e após, a massa deve ser compactada para remoção de oxigênio do seu interior e esse processo normalmente é realizado pelo pisoteio de pessoas caminhando sobre o milho moído. Para maiores quantidades ensiladas, recomenda-se o uso de tratores. Uma boa compactação, proporciona densidade entre 1000 e 1200 kg/ m3 de silagem. Podem ser utilizados silos do tipo banker, trincheira ou bags. Geralmente, as melhores condições de compactação e com menores perdas são obtidas em silos tipo trincheira revestidos.

Para fechamento do silo, é recomendado utilizar lonas com espessura grossa e retirar todo ar que está sob a lona. Assim como para silagem de planta inteira, pode ser colocada uma camada de terra ou telhas sobre a lona e isolar a área onde está o silo para evitar entrada de animais.


O tempo de fermentação da silagem compreende desde o enchimento do silo até sua abertura e pode variar de 21 a 28 dias. Para melhorar a qualidade da fermentação durante o armazenamento, podem ser utilizados inoculantes durante a ensilagem. As principais funções desses produtos são: evitar formação de ácidos indesejáveis (butírico e propiônico), evitar perdas superficiais, aumentar a participação do ácido lático, melhorar a palatabilidade do alimento, melhorar o consumo animal, ganho de peso e conversão alimentar e propiciar estabilidade do silo após aberto.


Seguir essas recomendações nos processos de colheita, moagem, compactação e vedação do silo é fundamental para obter bons resultados nutricionais e financeiros na propriedade. Um bom exemplo dessa situação são os produtores Laércio e Ivo Laube de Terra Roxa, que sempre produzem e utilizam a silagem de grão úmido na dieta dos seus animais. Com planejamento e organização, eles conseguem manter a alimentação equilibrada e reduzir seus custos ao longo do ano. Parabéns pelo trabalho que vem realizando e que possamos continuar evoluindo juntos.